Mato Grosso do Sul deu um passo estratégico na agenda da transição energética e da inovação tecnológica. Foi inaugurado nesta terça-feira (5), na UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), o Laboratório Modular Copa H2, espaço voltado ao desenvolvimento de pesquisas sobre a mistura de hidrogênio verde com GLP (Gás Liquefeito de Petróleo) para aplicação industrial, com foco na redução de emissões de poluentes e no aumento da eficiência energética.
O laboratório é fruto de parceria entre a Copa Energia e a UFMS, através do LaTES (Laboratório de Tecnologias Avançadas em Energia e Sustentabilidade) que conta com o apoio do Governo do Estado, por meio da Fundect. O projeto deve impulsionar o desenvolvimento de uma solução inédita no Brasil para utilização industrial de combustíveis mais limpos. A expectativa é que, até o fim de 2026, a tecnologia esteja em operação em clientes da companhia.
Representando a Fundect, o diretor-científico, Saulo Moreira, destacou que o laborátório é resultado do investimento assertivo que a fundação faz.
” Chamadas como Carbono Neutro e Mudanças climáticas proporcionaram investimentos ao LaTES e com isso o laboratóio e os grupos de pesquisa têm capacidade de dialogar melhor com o setor produtivo e, consequentemente, trazer novas oportunidades de projetos de inovação. Isto mostra que os investimentos feitos pela Fundect têm trazido resultados positivos para a ciência, para a tecnologia e para a inovação do Mato Grosso do Sul porque traz consigo também o setor produtivo e, consequentementem, a inovação chega a quem precisa, às pessoas”, destaca o diretor.
O secretário-executivo de Ciência, Tecnologia e Inovação da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), Ricardo Senna, destacou o papel da integração entre universidades, setor produtivo e governo na transformação do conhecimento científico em inovação aplicada.
“É possível aproximar universidade e mercado. Existem instrumentos como acordos de confidencialidade, e estamos criando uma trilha de apoio aos Núcleos de Inovação Tecnológica, como a Aginova da UFMS. A universidade precisa estar preparada: com advogados para contratos, economistas para planos de negócios e equipes técnicas para apresentar projetos”, afirmou Senna. Também participaram da inauguração o diretor de biometano e inovação da Copa Energia, Luiz Felipe Pellegrini e a reitora da UFMS, Camila Ítavo.
O laboratório será utilizado em pesquisas para desenvolvimento de uma mistura menos poluente entre GLP e hidrogênio verde, combustível produzido a partir da água com uso de energia renovável. O objetivo é reduzir emissões de gás carbônico (CO₂) e óxidos de nitrogênio (NOx), gases associados ao efeito estufa e a problemas respiratórios.
Coordenador da pesquisa, o professor do Instituto de Física da UFMS, Cauê Alves Martins, explicou que o projeto envolveu cerca de 20 pesquisadores e profissionais ao longo de 20 meses de estudos. A tecnologia utiliza um equipamento chamado MixOby (“oby” significa verde em tupi-guarani), desenvolvido pela própria universidade. “Esse equipamento produz hidrogênio renovável a partir da água e é usado com energia solar. Depois, o hidrogênio é diretamente injetado, em tempo real, na linha de GLP do cliente Copa Energia”, explicou o pesquisador.
A proposta é oferecer uma alternativa mais sustentável para setores industriais como alimentos e produção de vidros planos, reduzindo a pegada de carbono sem comprometer a capacidade energética.
Maristela Cantadori, Comunicação Fundect
(com informações Semadesc)
