A iniciação científica desenvolvida dentro das escolas públicas de Mato Grosso do Sul tem mostrado que ciência, educação e transformação social podem caminhar juntas. Em Campo Grande, estudantes da Escola Estadual Professora Maria de Lourdes Toledo Areias transformaram uma pesquisa sobre violência contra a mulher em um jogo pedagógico interativo que promove conscientização, reflexão e diálogo dentro da comunidade escolar. A iniciativa integra o Programa de Iniciação Científica e Tecnológica do Estado de Mato Grosso do Sul (PICTEC), da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia (Fundect), que incentiva a pesquisa científica e tecnológica entre estudantes e professores do Ensino Médio da rede pública estadual.
As estudantes Anna Fernandes, Rafaella Nascimento, Renata Cabral e Theo Franco partiram de uma investigação sobre os índices de violência contra a mulher em Mato Grosso do Sul, desenvolvida no âmbito do projeto “Transformando Realidades: Educação Digital e o Combate à Violência contra a Mulher”.
A partir de pesquisas teóricas, análise de dados e reflexões sobre a realidade local, os alunos transformaram o conteúdo estudado em uma experiência interativa e educativa, através do jogo “Rompendo a Violência”, que aborda diferentes formas de violência previstas na Lei Maria da Penha e apresenta situações inspiradas em contextos reais, estimulando debates críticos e reflexivos entre os participantes.
A proposta foi aplicada em oficinas realizadas na própria escola e alcançou forte engajamento entre os estudantes, demonstrando como metodologias interativas podem ampliar o diálogo sobre temas sociais sensíveis dentro do ambiente escolar.
Além do jogo, o projeto também resultou na produção de vídeos, podcasts e oficinas educativas, fortalecendo as ações de conscientização junto à comunidade escolar.
PICTEC fortalece protagonismo estudantil
O trabalho foi orientado pela professora mestra de Sociologia Bruna Lucila dos Anjos, com apoio do professor mestre e PCPI (Professor Coordenador de Práticas Inovadoras) Jean Carlos Azevedo.
Segundo a professora Bruna, o projeto evidencia o potencial da iniciação científica na formação cidadã dos estudantes.
“Quando estudantes pesquisam, criam e aplicam um jogo sobre violência contra a mulher, eles deixam de ser apenas alunos e se tornam agentes de transformação dentro da própria comunidade escolar”, destaca.
Para o professor Jean Carlos, a experiência reforça o papel da escola pública como espaço de inovação e transformação social.
“A articulação entre pesquisa científica e tecnologia educacional mostra que inovação pedagógica e responsabilidade social podem e devem caminhar juntas na escola pública”, afirma.
O que é o PICTEC
O Programa de Iniciação Científica e Tecnológica do Estado de Mato Grosso do Sul (PICTEC) é uma iniciativa da Fundect criada para promover projetos de pesquisa científica e tecnológica entre estudantes e professores do ensino médio das redes públicas de ensino.
Entre os principais objetivos do programa estão despertar a vocação científica e incentivar talentos potenciais entre estudantes; contribuir para a formação continuada de professores da Educação Básica; implementar projetos de pesquisa científica e tecnológica nas escolas públicas; e qualificar estudantes para que possam dar continuidade à formação acadêmica e profissional alinhada às demandas da sociedade e às prioridades estratégicas do Estado.
O programa está atualmente em sua quinta edição, com 250 projetos e mais de 1.200 bolsistas em todo o Estado. Os participantes recebem bolsas pelo período de 12 meses, sendo R$ 400 mensais para estudantes e R$ 800 mensais para professores-orientadores.
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Maristela Cantatori, com informações da SED
Fotos: Arquivo escolar
