Muito além do baú tradicional usado no Pantanal para carregar mantimentos nas comitivas, a bruaca é ressignificada ao se tornar símbolo de inovação, renda e valorização cultural. A partir de uma pesquisa de pós-doutorado e com apoio do Programa Centelha, a iniciativa Bruaca se transformou em um negócio social estruturado, conectando comunidades tradicionais ao mercado e promovendo desenvolvimento sustentável no Pantanal.
A Bruaca nasceu da vivência da pesquisadora Denise Silva, que transformou sua trajetória acadêmica em uma iniciativa voltada à geração de renda e valorização das comunidades locais. O projeto atua com Turismo de Base Comunitária (TBC) e com a comercialização de produtos e experiências ligadas ao saber tradicional, envolvendo ribeirinhos, pequenos produtores e povos indígenas.
“Eu sou pantaneira, nasci na região entre Aquidauana e Miranda, e a Bruaca nasce justamente dessa vivência no território. Ela surgiu a partir da minha pesquisa de pós-doutorado, mas sempre com um desejo muito claro: transformar conhecimento acadêmico em impacto real para as comunidades tradicionais do Pantanal Sul”, explica Silva.
Inicialmente, a proposta era criar um marketplace digital – uma espécie de loja online – para comercialização de produtos e serviços das comunidades. No entanto, a escuta das comunidades revelou desafios estruturais que exigiram mudanças na proposta original, criando um modelo mais adaptado às condições locais.
“Percebemos que o modelo precisava mudar. O apoio do Programa Centelha foi fundamental nesse momento. Ele nos deu não só o recurso financeiro, mas segurança para testar, errar, ajustar e amadurecer o modelo de negócio. Foi esse suporte que permitiu a transição de um simples marketplace para um Centro de Distribuição e um Hub de Inovação Social, mais adequado à realidade das comunidades”, analisa.
Atualmente, a Bruaca atua como um Hub de Inovação Social, integrando bioeconomia e economia criativa, com ações que vão desde a curadoria e comercialização de produtos até a oferta de formações em empreendedorismo, gestão e precificação, com foco no protagonismo de mulheres e jovens.
A trajetória da Bruaca exemplifica como o apoio à inovação pode transformar conhecimento em soluções concretas, gerando impacto social e econômico. No âmbito do Centelha 3, a expectativa é ampliar esse alcance e estimular novas iniciativas como esta em Mato Grosso do Sul.
Centelha 3 – O programa prevê a seleção de até 47 propostas, com investimento total de R$ 6,5 milhões. Cada projeto poderá receber até R$ 89,6 mil em recursos de subvenção econômica, além de até R$ 50 mil em bolsas de fomento tecnológico e extensão inovadora, concedidas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), totalizando até R$ 139,6 mil por iniciativa.
Podem participar pessoas físicas com ideias inovadoras, além de empresas nascentes com até 12 meses de existência. As inscrições seguem abertas até 11 de maio e devem ser realizadas no endereço ms.programacentelha.com.br.
A iniciativa é coordenada nacionalmente pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), por meio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap) e a Fundação CERTI.
Em Mato Grosso do Sul, o programa é executado pela Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia (Fundect), vinculada à Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), com a parceria de Sebrae MS, Senai-Fiems, Fecomércio-Senac, Ecossistema de Inovação e o Conselho de Reitores das Instituições de Ensino Superior de Mato Grosso do Sul (CRIE-MS).
Assista ao vídeo sobre o tema no Instagram da Fundect.
Assessoria de Comunicação|Fundect
